
Canne al vento
Caniços ao vento
Grazia Deledda · 1913
Uma história de destino, culpa e fragilidade humana.
Leia o início
O texto original, cada linha seguida da sua tradução.
Tutto il giorno Efix, il servo delle dame Pintor, aveva lavorato a rinforzare l’argine primitivo da lui stesso costrutto un po’ per volta a furia d’anni e di fatica, giù in fondo al poderetto lungo il fiume: e al cader della sera contemplava la sua opera dall’alto, seduto davanti alla capanna sotto il ciglione glauco di canne a mezza costa sulla bianca collina dei Colombi.
Durante todo o dia, Efix, o criado das senhoras Pintor, trabalhou para reforçar o aterro original que ele mesmo construira pouco a pouco, ao longo de anos de árduo trabalho, lá embaixo, na pequena fazenda às margens do rio; e, ao cair da noite, contemplava seu trabalho de cima, sentado em frente à cabana, sob a crista glauca de juncos a meio caminho da colina branca de Colombi.
Eccolo tutto ai suoi piedi, silenzioso e qua e là scintillante d’acque nel crepuscolo, il poderetto che Efix considera più suo che delle sue padrone: trent’anni di possesso e di lavoro lo han fatto ben suo, e le due siepi di fichi d’india che lo chiudono dall’alto in basso come due muri grigi serpeggianti di scaglione in scaglione dalla collina al fiume, gli sembrano i confini del mondo.
Ali está ela, toda a seus pés, silenciosa e aqui e ali cintilando com a água no crepúsculo, a pequena fazenda que Efix considera mais sua do que de suas patroas: trinta anos de propriedade e trabalho a tornaram verdadeiramente sua, e as duas sebes de figueiras-da-índia que a cercam de cima a baixo como duas paredes cinzentas que serpenteiam degrau por degrau da colina até o rio, parecem-lhe os confins do mundo.
Il servo non guardava al di là del poderetto anche perchè i terreni da una parte e dall’altra erano un tempo appartenuti alle sue padrone: perchè ricordare il passato? Rimpianto inutile. Meglio pensare all’avvenire e sperare nell’ajuto di Dio.
O criado não olhava além da pequena fazenda, também porque as terras de ambos os lados haviam pertencido às suas senhoras: para quê relembrar o passado? Lamento inútil. Melhor pensar no futuro e esperar pela ajuda de Deus.
E Dio prometteva una buona annata, o per lo meno faceva ricoprir di fiori tutti i mandorli e i peschi della valle; e questa, fra due file di colline bianche, con lontananze cerule di monti ad occidente e di mare ad oriente, coperta di vegetazione primaverile, d’acque, di macchie, di fiori, dava l’idea di una culla gonfia di veli verdi, di nastri azzurri, col mormorio del fiume monotono come quello di un bambino che s’addormenta.
E Deus prometeu um bom ano, ou pelo menos fez com que todas as amendoeiras e pessegueiros do vale se cobrissem de flores; e este vale, entre duas fileiras de colinas brancas, com montanhas azuis distantes a oeste e o mar a leste, coberto de vegetação primaveril, água, arbustos e flores, dava a impressão de um berço repleto de véus verdes e fitas azuis, com o murmúrio do rio tão monótono quanto o de uma criança adormecendo.
Ma le giornate eran già troppo calde ed Efix pensava anche alle pioggie torrenziali che gonfiano il fiume senz’argini e lo fanno balzare come un mostro e distruggere ogni cosa: sperare, sì, ma non fidarsi anche; star vigili come le canne sopra il ciglione che ad ogni soffio di vento si battono l’una contro l’altra le foglie come per avvertirsi del pericolo.
Mas os dias já estavam muito quentes, e Efix também pensava nas chuvas torrenciais que faziam o rio sem margens inchar e saltar como um monstro, destruindo tudo: ter esperança, sim, mas também não confiar; estar vigilante como os juncos na margem que, a cada sopro de vento, batem suas folhas umas contra as outras como se para se avisarem do perigo.
Per questo aveva lavorato tutto il giorno e adesso, in attesa della notte, mentre per non perder tempo intesseva una stuoia di giunchi, pregava perchè Dio rendesse valido il suo lavoro.
Para isso, ele havia trabalhado o dia todo e agora, esperando a noite chegar, enquanto tecia uma esteira de juncos para não perder tempo, orava para que Deus validasse seu trabalho.
Che cosa è un piccolo argine se Dio non lo rende, col suo volere, formidabile come una montagna?
Que adianta uma pequena barragem se Deus não a tornar, por Sua vontade, tão formidável quanto uma montanha?
Sette giunchi attraverso un vimine, dunque, e sette preghiere al Signore ed a Nostra Signora del Rimedio, benedetta ella sia, ecco laggiù nell’estremo azzurro del crepuscolo la chiesetta e il recinto di capanne quieto come un villaggio preistorico abbandonato da secoli.
Sete passos rápidos através de um cesto de vime, então, e sete orações ao Senhor e a Nossa Senhora do Remédio, bendita seja ela, lá embaixo, no azul profundo do crepúsculo, fica a pequena igreja e o cercado de cabanas, silencioso como uma aldeia pré-histórica abandonada há séculos.
A quell’ora, mentre la luna sbocciava come una grande rosa fra i cespugli della collina e le euforbie odoravano lungo il fiume, anche le padrone di Efix pregavano: donna Ester la più vecchia, benedetta ella sia, si ricordava certo di lui peccatore: bastava questo perchè egli si sentisse contento, compensato delle sue fatiche.
Naquela hora, enquanto a lua desabrochava como uma grande rosa entre os arbustos na colina e as eufórbias exalavam perfume ao longo do rio, as senhoras de Efix também rezavam: Lady Ester, a mais velha, bendita seja ela, certamente se lembrava dele como um pecador: isso bastava para fazê-lo sentir-se feliz, recompensado por seus esforços.
Un passo in lontananza gli fece sollevar gli occhi. Gli sembrò di riconoscerlo; era un passo rapido e lieve di fanciullo, passo d’angelo che corre ad annunziare le cose liete e le tristi.
Um passo ao longe o fez olhar para cima. Ele achou que o reconheceu; era o passo rápido e leve de uma criança, o passo de um anjo que corre para anunciar coisas boas e ruins.
Sia fatto il volere di Dio: è lui che manda le buone e le cattive notizie; ma il cuore cominciò a tremargli, ed anche le dita nere screpolate tremarono coi giunchi argentei lucenti alla luna come fili d’acqua.
Que seja feita a vontade de Deus: é Ele quem envia as boas e as más notícias; mas o seu coração começou a tremer, e até os seus dedos negros e rachados tremeram com os juncos prateados que brilhavam ao luar como fios de água.
Il passo non s’udiva più: Efix tuttavia rimase ancora là, immobile, ad aspettare.
Não se ouviam mais os passos; Efix, porém, permanecia ali, imóvel, à espera.
La luna saliva davanti a lui, e le voci della sera avvertivano l’uomo che la sua giornata era finita.
A lua surgiu diante dele, e as vozes da noite avisaram o homem de que seu dia havia terminado.
Era il grido cadenzato del cuculo, il zirlio dei grilli precoci, qualche gemito d’uccello; era il sospiro delle canne e la voce sempre più chiara del fiume: ma era sopratutto un soffio, un ansito misterioso che pareva uscire dalla terra stessa: sì, la giornata dell’uomo lavoratore era finita, ma cominciava la vita fantastica dei folletti, delle fate, degli spiriti erranti.
Era o grito rítmico do cuco, o chilrear dos primeiros grilos, o ocasional gemido de um pássaro; era o suspiro dos juncos e a voz cada vez mais clara do rio: mas acima de tudo era uma respiração, um ofegar misterioso que parecia vir da própria terra: sim, o dia do trabalhador havia terminado, mas a vida fantástica dos elfos, fadas e espíritos errantes estava começando.
I fantasmi degli antichi Baroni scendevano dalle rovine del castello sopra il paese di Galte, su, all’orizzonte a sinistra di Efix, e percorrevano le sponde del fiume alla caccia dei cinghiali e delle volpi: le loro armi scintillavano in mezzo ai bassi ontani della riva, e l’abbaiar fioco dei cani in lontananza indicava il loro passaggio.
Os fantasmas dos antigos barões desceram das ruínas do castelo acima da vila de Galte, no horizonte à esquerda de Efix, e percorreram as margens do rio em busca de javalis e raposas: suas armas reluziam entre os amieiros baixos na margem, e o latido fraco de cães à distância indicava sua passagem.
Efix sentiva il rumore che le panas (donne morte di parto) facevano nel lavar i loro panni giù al fiume, battendoli con uno stinco di morto, e credeva di intraveder l’ammattadore, folletto con sette berretti entro i quali conserva un tesoro, balzar di qua e di là sotto il bosco di mandorli, inseguito dai vampiri con la coda di acciaio.
Efix ouviu o barulho que as panas (mulheres que morreram no parto) faziam enquanto lavavam suas roupas à beira do rio, batendo-as com a canela de um morto, e pensou ter vislumbrado o ammattadore, um duende com sete chapéus nos quais guardava um tesouro, saltando de um lado para o outro sob o amendoal, perseguido por vampiros com caudas de aço.
Era il suo passaggio che destava lo scintillio dei rami e delle pietre sotto la luna: e agli spiriti maligni si univano quelli dei bambini non battezzati, spiriti bianchi che volavano per aria tramutandosi nelle nuvolette argentee dietro la luna: e i nani e le janas, piccole fate che durante la giornata stanno nelle loro case di roccia a tesser stoffe d’oro in telai d’oro, ballavano all’ombra delle grandi macchie di filirèa, mentre i giganti s’affacciavano fra le roccie dei monti battuti dalla luna, tenendo per la briglia gli enormi cavalli verdi che essi soltanto sanno montare, spiando se laggiù fra le distese d’euforbia malefica si nascondeva qualche drago o se il leggendario serpente cananèa, vivente fin dai tempi di Cristo, strisciava sulle sabbie intorno alla palude.
Foi a sua passagem que despertou o brilho dos ramos e pedras sob a lua: e aos espíritos malignos juntaram-se os de crianças não batizadas, espíritos brancos que voavam pelo ar, transformando-se nas nuvens prateadas atrás da lua: e os anões e as janas, pequenas fadas que durante o dia permanecem em suas casas de pedra tecendo panos dourados em teares de ouro, dançavam à sombra dos grandes aglomerados de filírea, enquanto os gigantes espreitavam por entre as rochas das montanhas batidas pela lua, conduzindo pelas rédeas os enormes cavalos verdes que só eles sabem montar, espiando para ver se algum dragão se escondia lá embaixo entre as extensões da erva-leiteira maligna ou se a lendária serpente cananeia, viva desde a época de Cristo, deslizava pelas areias ao redor do pântano.
Specialmente nelle notti di luna tutto questo popolo misterioso anima le colline e le valli: l’uomo non ha diritto a turbarlo con la sua presenza, come gli spiriti han rispettato lui durante il corso del sole; è dunque tempo di ritirarsi e chiuder gli occhi sotto la protezione degli angeli custodi.
Especialmente nas noites de luar, todos esses seres misteriosos animam as colinas e os vales: o homem não tem o direito de perturbá-los com sua presença, assim como os espíritos o respeitaram durante o ciclo do sol; portanto, é hora de recolher-se e fechar os olhos sob a proteção dos anjos da guarda.
Efix si fece il segno della croce e si alzò: ma aspettava ancora che qualcuno arrivasse.
Efix fez o sinal da cruz e se levantou, mas ainda esperava que alguém chegasse.
Tuttavia spinse l’asse che serviva da porticina e vi appoggiò contro una gran croce di canne che doveva impedire ai folletti e alle Tentazioni di penetrare nella capanna.
No entanto, ele empurrou a tábua que servia de pequena porta e colocou uma grande cruz de juncos contra ela, para impedir que os goblins e as Tentações entrassem na cabana.
Il chiarore della luna illuminava attraverso le fessure la stanza stretta e bassa agli angoli, ma abbastanza larga per lui che era piccolo e scarno come un adolescente.
O luar iluminava o quarto através das frestas, que era estreito e baixo nos cantos, mas grande o suficiente para ele, que era pequeno e magro como um adolescente.
Dal tetto a cono, di canne e giunchi, che copriva i muri a secco e aveva un foro nel mezzo per l’uscita del fumo, pendevano grappoli di cipolle e mazzi d’erbe secche, croci di palma e rami d’ulivo benedetto, un cero dipinto, una falce contro i vampiri e un sacchetto di orzo contro le panas: ad ogni soffio tutto tremava e i fili dei ragni lucevano alla luna.
Do telhado cônico, feito de juncos e caniços, que cobria as paredes de pedra seca e tinha um buraco no meio para a fumaça escapar, pendiam feixes de cebolas e ervas secas, cruzes de palmeira e ramos de oliveira benzidos, uma vela pintada, uma foice para proteção contra vampiros e um saco de cevada contra panas: a cada sopro tudo tremia e os fios de teia de aranha brilhavam ao luar.
Giù per terra la brocca riposava con le sue anse sui fianchi e la pentola capovolta le dormiva accanto.
No chão, a jarra repousava com as alças apoiadas nas laterais, e o pote virado para cima dormia ao lado dela.
Efix preparò la stuoja, ma non si coricò.
Efix preparou o tapete, mas não se deitou.
Gli sembrava sempre di sentire il rumore dei passi infantili: qualcuno veniva di certo e infatti a un tratto i cani cominciarono ad abbajare nei poderi vicini, e tutto il paesaggio che pochi momenti prima pareva si fosse addormentato fra il mormorio di preghiera delle voci notturne, fu pieno di echi e di fremiti quasi si svegliasse di soprassalto.
Ele sempre parecia ouvir o som de passos de crianças: certamente alguém estava chegando, e de fato, de repente, os cães das fazendas próximas começaram a latir, e toda a paisagem, que momentos antes parecia ter adormecido em meio ao murmúrio reverente das vozes noturnas, se encheu de ecos e tremores, como se estivesse despertando sobressaltada.
Efix riaprì. Una figura nera saliva attraverso la china ove già le fave basse ondulavano argentee alla luna, ed egli, a cui durante la notte anche le figure umane parevan misteriose, si fece di nuovo il segno della croce.
Efix abriu a porta novamente. Uma figura negra subia a encosta onde os feijões rasteiros já ondulavam prateados ao luar, e ele, para quem até mesmo as figuras humanas pareciam misteriosas durante a noite, fez o sinal da cruz mais uma vez.
Ma una voce conosciuta lo chiamò: era la voce fresca ma un po’ ansante di un ragazzo che abitava accanto alla casa delle dame Pintor.
Mas uma voz familiar o chamou: era a voz fresca, porém um pouco ofegante, de um menino que morava ao lado da casa das senhoras Pintor.
— Zio Efisè, zio Efisè!
— Tio Efisè, tio Efisè!
— Che è accaduto, Zuannantò? Stanno bene le mie dame?
—O que aconteceu, Zuannantò? Minhas damas estão bem?
— Stanno bene, sì, mi pare. Solo mi mandano per dirvi di tornare domani presto in paese, che hanno bisogno di parlarvi. Sarà forse per una lettera gialla che ho visto in mano a donna Noemi.
"Eles estão bem, sim, eu acho. Só me mandaram avisar para você voltar à cidade cedo amanhã, que precisam falar com você. Talvez seja por causa de uma carta amarela que vi na mão da Donna Noemi."
Donna Noemi la leggeva e donna Ruth col fazzoletto bianco in testa come una monaca spazzava il cortile, ma stava ferma appoggiata alla scopa e ascoltava.
Donna Noemi leu o texto e Donna Ruth, com um lenço branco na cabeça como uma freira, varreu o pátio, mas permaneceu imóvel, apoiada na vassoura, escutando.
— Una lettera? Non sai di chi è?
—Uma carta? Você não sabe de quem é?
— Io no; non so leggere. Ma la mia nonna dice che forse è di sennor Giacinto il nipote delle vostre padrone.
— Não sou eu; não sei ler. Mas minha avó diz que talvez seja o neto da sua patroa, o senhor Giacinto.
Sì, Efix lo sentiva; doveva esser così: tuttavia si grattava pensieroso la guancia, a testa china, e sperava e temeva d’ingannarsi.
Sim, Efix sentiu isso; tinha que ser assim: no entanto, coçou a bochecha pensativamente, com a cabeça baixa, e esperava e temia estar enganado.
Il ragazzo s’era seduto stanco sulla pietra davanti alla capanna e si slacciava gli scarponi domandando se non c’era nulla da mangiare.
O menino sentou-se cansado na pedra em frente à cabana, desamarrou as botas e perguntou se havia algo para comer.
— Ho corso come un cerbiatto: avevo paura dei folletti....
— Corri como um cervo: tinha medo dos duendes...
Efix sollevò il viso olivastro duro come una maschera di bronzo, e fissò il ragazzo coi piccoli occhi azzurrognoli infossati e circondati di rughe: e quegli occhi vivi lucenti esprimevano un’angoscia infantile.
Efix ergueu o rosto de pele morena, duro como uma máscara de bronze, e fitou o menino com seus pequenos olhos azuis, profundos e rodeados de rugas: e aqueles olhos brilhantes expressavam uma angústia infantil.
— Ti han detto s’io devo tornare domani o stanotte?
—Eles te disseram se eu tenho que voltar amanhã ou hoje à noite?
— Domani, vi dico! Intanto che voi sarete in paese io starò qui a guardare il podere.
—Amanhã, eu te digo! Enquanto você estiver na cidade, ficarei aqui cuidando da fazenda.
Il servo era abituato a obbedire alle sue padrone e non fece altre richieste: tirò una cipolla dal grappolo, un pezzo di pane dalla bisaccia e mentre il ragazzo mangiava ridendo e piangendo per l’odore dell’aspro companatico, ripresero a chiacchierare.
O criado estava acostumado a obedecer às suas patroas e não fez mais nenhum pedido: pegou uma cebola do molho, um pedaço de pão da sua alforje e, enquanto o menino comia, rindo e chorando com o cheiro da comida azeda, eles retomaram a conversa.
I personaggi più importanti del paese attraversavano il loro discorso: primo veniva il Rettore, poi la sorella del Rettore, poi il Milese che aveva sposato una figlia di questa ed era diventato, da venditore ambulante di arance e di anfore, il più ricco mercante del villaggio.
As pessoas mais importantes da aldeia participaram da conversa: primeiro o Reitor, depois a irmã do Reitor, depois Milese, que se casara com uma de suas filhas e se tornara, de vendedor ambulante de laranjas e ânforas, o comerciante mais rico da aldeia.
Seguiva don Predu, il sindaco, cugino delle padrone di Efix. Anche don Predu era ricco, ma non come il Milese. Poi veniva Kallina l’usuraia, ricca anche lei ma in modo misterioso.
Em seguida, veio Dom Predu, o prefeito, primo das donas de Efix. Dom Predu também era rico, mas não tão rico quanto Milese. Depois, veio Kallina, a agiota, também rica, mas de uma forma misteriosa.
— I ladri han tentato di rompere il suo muro. Inutile: è fatato. E lei rideva, stamattina, nel suo cortile, dicendo: anche se entrano trovano solo cenere e chiodi, povera me, povera come Cristo.
—Os ladrões tentaram derrubar o muro dela. Foi inútil: é encantado. E ela estava rindo esta manhã, no seu pátio, dizendo: Mesmo que entrem, só encontrarão cinzas e pregos, coitada de mim, pobre como Cristo.
Ma la mia nonna dice che zia Kallina ha un sacchettino pieno d’oro nascosto dentro il muro.
Mas minha avó diz que a tia Kallina tem um saquinho cheio de ouro escondido dentro da parede.
Ma ad Efix in fondo poco importavano queste storie.
Mas Efix não se importava muito com essas histórias.
Coricato sulla stuoia, con una mano sotto l’ascella e l’altra sotto la guancia sentiva il suo cuore palpitare e il fruscio delle canne sopra il ciglione gli sembrava il sospiro d’uno spirito malefico.
Deitado na esteira, com uma mão debaixo da axila e a outra debaixo da bochecha, ele sentiu o coração bater forte e o farfalhar dos juncos na colina lhe pareceu o suspiro de um espírito maligno.
La lettera gialla! Giallo, brutto colore. Chissà cosa doveva ancora accadere alle sue padrone. Da venti anni a questa parte quando qualche avvenimento rompeva la vita monotona di casa Pintor era invariabilmente una disgrazia.
A carta amarela! Amarelo, uma cor feia. Quem sabe o que ainda aconteceria aos seus donos? Nos últimos vinte anos, sempre que algum evento interrompia a vida monótona da família Pintor, era invariavelmente um desastre.
Anche il ragazzo s’era coricato, ma non aveva voglia di dormire.
O menino também tinha ido para a cama, mas não estava com sono.
— Zio Efix, anche oggi la mia nonna raccontava che le vostre padrone erano ricche come don Predu. È vero o non è vero?
—Tio Efix, ainda hoje minha avó dizia que suas amantes eram tão ricas quanto Dom Predu. Isso é verdade ou não?
— È vero, — disse il servo sospirando. — Ma non è ora di ricordar queste cose. Dormi.
“É verdade”, disse o criado, suspirando. “Mas não é hora de lembrar dessas coisas. Vá dormir.”
Il ragazzo sbadigliò.
O menino bocejou.
— Ma mia nonna racconta che dopo morta donna Maria Cristina, la vostra beata padrona vecchia, passò come la scomunica, in casa vostra. È vero o non è vero?
—Mas minha avó diz que, após a morte de Dona Maria Cristina, sua bendita e antiga patroa, ela passou para sua casa como se estivesse excomungada. É verdade ou não?
— Dormi, ti dico, non è ora....
— Dormir, eu digo, não é hora...
— E lasciatemi parlare! E perchè è fuggita donna Lia, la vostra padrona piccola?
—E deixe-me falar! E por que Donna Lia, sua pequena amante, fugiu?
La mia nonna dice che voi lo sapete: che l’avete aiutata a fuggire, donna Lia: l’avete accompagnata fino al ponte, dove si è nascosta finchè è passato un carro sul quale ella è andata fino al mare. Là si è imbarcata.
Minha avó diz que você sabe: que você a ajudou a escapar, Donna Lia: você a acompanhou até a ponte, onde ela se escondeu até que uma carroça passasse, na qual ela seguiu para o mar. Lá, ela embarcou em um navio.
E don Zame, suo padre, il vostro padrone, la cercava, la cercava, finchè è morto. È morto là, accanto al ponte. Chi l’ha ucciso? Mia nonna dice che voi lo sapete....
E Dom Zame, o pai dela, seu patrão, procurou-a, procurou-a, até morrer. Morreu ali, perto da ponte. Quem o matou? Minha avó diz que você sabe...
— Tua nonna è una strega! Lei e tu, tu e lei lasciate in pace i morti! — gridò Efix; ma la sua voce era roca, e il ragazzo rise con insolenza.
"Sua avó é uma bruxa! Ela e você, você e ela, deixem os mortos em paz!" gritou Efix, mas sua voz estava rouca, e o menino riu insolentemente.
— Non arrabbiatevi, che vi fa male, zio Efix! Mia nonna dice che è stato il folletto, a uccidere don Zame. È vero o non è vero?
—Não fique com raiva, vai te machucar, tio Efix! Minha avó diz que foi o elfo que matou Dom Zame. Isso é verdade?
Efix non rispose: chiuse gli occhi, si mise la mano sull’orecchio, ma la voce del ragazzo ronzava nel buio e gli sembrava la voce stessa degli spiriti del passato.
Efix não respondeu: fechou os olhos, levou a mão à orelha, mas a voz do menino zumbia na escuridão e lhe pareceu a própria voz dos espíritos do passado.
Ed ecco a poco a poco tutti vengono attorno, penetrano per le fessure come i raggi della luna: è donna Maria Cristina, bella e calma come una santa, è don Zame, rosso e violento come il diavolo: sono le quattro figlie che nel viso pallido hanno la serenità della madre e in fondo agli occhi la fiamma del padre: sono i servi, le serve, i parenti, gli amici, tutta la gente che invade la casa ricca dei discendenti dei Baroni della contrada.
E aos poucos, todos vão chegando, penetrando pelas frestas como raios de luar: é Dona Maria Cristina, bela e calma como uma santa, é Dom Zame, ruivo e violento como o diabo; são as quatro filhas que têm a serenidade da mãe nos rostos pálidos e a chama do pai no fundo dos olhos; são os criados, as empregadas, os parentes, os amigos, todas as pessoas que invadem a rica casa dos descendentes dos Barões do bairro.
Ma passa il vento della disgrazia e la gente si disperde, come le nuvolette in cielo attorno alla luna quando soffia la tramontana.
Mas o vento da desgraça passa e o povo se dispersa, como as pequenas nuvens no céu ao redor da lua quando sopra o vento norte.
Donna Cristina è morta; il viso pallido delle figlie perde un poco della sua serenità e la fiamma in fondo agli occhi cresce: cresce a misura che don Zame, dopo la morte della moglie, prende sempre più l’aspetto prepotente dei baroni suoi antenati, e come questi tiene chiuse dentro casa come schiave le quattro ragazze in attesa di mariti degni di loro.
Dona Cristina está morta; os rostos pálidos de suas filhas perdem parte da serenidade, e a chama em seus olhos aumenta: aumenta à medida que Dom Zame, após a morte da esposa, assume o ar cada vez mais dominador de seus ancestrais barões e, como eles, mantém as quatro meninas trancadas dentro de casa como escravas, à espera de maridos dignos.
E come schiave esse dovevano lavorare, fare il pane, tessere, cucire, cucinare, saper custodire la loro roba: e sopratutto non dovevano sollevar gli occhi davanti agli uomini, nè permettersi di pensare ad uno che non fosse destinato per loro sposo.
E como escravas, elas tinham que trabalhar, fazer pão, tecer, costurar, cozinhar, saber cuidar de seus pertences; e, acima de tudo, não podiam levantar os olhos na presença de homens, nem se permitir pensar em ninguém que não estivesse destinado a ser seu marido.
Ma gli anni passavano e lo sposo non veniva. E più le sue figlie invecchiavano più don Zame pretendeva da loro una costante severità di costumi.
Mas os anos se passaram e o noivo nunca apareceu. E quanto mais velhas suas filhas ficavam, mais Dom Zame exigia delas uma constante rigidez moral.
Guai se le vedeva affacciate alle finestre verso il vicolo dietro la casa, o se uscivano senza suo permesso. Le schiaffeggiava coprendole d’improperî, e minacciava di morte i giovani che passavano due volte di seguito nel vicolo.
Ai de quem os visse debruçados nas janelas com vista para o beco atrás da casa, ou quem saísse sem a sua permissão. Ele os esbofeteava, lançava-lhes insultos e ameaçava matar qualquer jovem que passasse pelo beco duas vezes seguidas.
Egli intanto passava le giornate a girovagare per il paese, o seduto sulla panca di pietra davanti alla bottega della sorella del Rettore. Le persone scantonavano nel vederlo, tanto avevan paura della sua lingua.
Entretanto, ele passava os dias vagando pela vila ou sentado no banco de pedra em frente à loja da irmã do reitor. As pessoas se afastavam quando o viam, tamanho era o medo que sentiam de sua língua.
Egli litigava con tutti, ed era talmente invidioso del bene altrui, che quando passava in un bel podere diceva «le liti ti divorino».
Ele brigava com todos e tinha tanta inveja da riqueza alheia que, ao passar por uma bela propriedade, dizia: "Que as brigas te devorem".
Ma le liti finivano col divorare le sue terre, e una disgrazia inaudita lo colpì a un tratto come un castigo di Dio per la sua superbia e i suoi pregiudizi.
Mas as disputas acabaram por devastar suas terras, e uma desgraça sem precedentes o atingiu repentinamente como um castigo divino por seu orgulho e preconceitos.
Donna Lia, la terza delle sue figlie, sparì una notte dalla casa paterna e per lungo tempo non si seppe più nulla di lei.
Donna Lia, a terceira de suas filhas, desapareceu certa noite da casa de seu pai e por muito tempo nada mais se soube dela.
Un’ombra di morte gravò sulla casa: mai nel paese era accaduto uno scandalo eguale; mai una fanciulla nobile e beneducata come Lia era fuggita così.
Uma sombra de morte pairava sobre a casa: nunca antes um escândalo como aquele ocorrera na aldeia; nunca uma jovem nobre e bem-educada como Lia fugira dessa maneira.
Don Zame parve impazzire; corse di qua e di là, per tutto il Circondario e lungo la Costa in cerca di Lia; ma nessuno seppe dargliene notizie.
Dom Zame parecia ter enlouquecido; corria de um lado para o outro, por todo o distrito e ao longo da costa, à procura de Lia; mas ninguém conseguia dar-lhe notícias dela.
Finalmente ella scrisse alle sorelle, dicendo di trovarsi in luogo sicuro e d’esser contenta d’aver rotto la sua catena. Le sorelle però non perdonarono, non risposero. Don Zame era diventato più tiranno con loro.
Finalmente, ela escreveu às irmãs, dizendo que estava em um lugar seguro e feliz por ter rompido o vínculo. As irmãs, porém, não a perdoaram e não responderam. Dom Zame havia se tornado ainda mais tirânico com elas.
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